Monday, September 24, 2007

O regresso

Durante muito tempo escrevia apenas quando estava triste, sozinho ou em momentos puramente depressivos.

Agora, apesar de estar de novo triste, de certa forma sozinho e de frequentemente me encontrar depressivo escrevo de uma forma diferente.

Agora escrevo feliz ...

Feliz sim, porque redescobri a felicidade no meio de existências tristes. Redescobri as pequenas coisas. Os email de alguém de quem verdadeiramente gostas, embora nem sempre o confesses.

Redescobri o prazer das palavras e das imagens. Redescobri o prazer do trabalho e do estudo.

Tudo graças a um acontecimento verdadeiramente doloroso e triste. O acabar de um capitulo da minha vida e o começar dum novo.

Regresso assim a mim mesmo. Volto a ser o homem que fala com semáforos. Não mais o bailarino ou aspirante a bailarino. Agora algo diferente ... Não mais o rapaz de 18 anos que não sabia cozinhar ou tratar das tarefas domésticas ...

Não agora escrevo, ainda como jovem (muito jovem ainda ...) mas como alguém que pela primeira vez vai começar uma vida sozinho. Pela primeira vez vou morar verdadeiramente sozinho, num espaço verdadeiramente meu. Após 3 anos numa terra diferente vou cortar as pequenas dependências.

Fica, naturalmente, a necessidade de carinho, de amor de alguém.

Custa não ter alguém para chegar a casa. Custa perder os gatinhos que me recebiam com carinho, talvez os únicos verdadeiramente felizes por me verem chegar a casa.

Muito me custa agora, muito contribui para um estado quase permanente de cansaço. Mas o pouco que me empurra, que me anima é mais que suficiente para que valha a pena continuar a existir.

Agora sei, mais uma vez, que não é necessário ter mais porque viver e ser feliz do que porque morrer ou ficar triste. Agora sei que são aquelas poucas coisas na vida, pequenas e grandes que valem a pena.

Agora recordei o que tinha esquecido ...

Agora posso voltar a ser eu mesmo, não preciso de ser mais adulto do que a minha idade! Não preciso de ser alguém diferente. Não preciso de ser alguém que ela goste ou deseje.

Agora posso ser eu mesmo mais uma vez, talvez até pela primeira vez ...

...

1 Comments:

Blogger António said...

Gonçalo gonçalo....
As voltas que a vida dá...
As estupidezes que fazemos e que nos fazem...
Os momentos em que nos esquecemos que existimos, para simplesmente viver o momento...
Tudo isso...

É parte de ti e sempre o será...

Considera-o um aglomerado de experiências, que por muito que doam e que às vezes conseguem mesmo deitar-te abaixo...

Nunca conseguirão "matar-te"...

E como se diz em bom português: "O que não mata engorda!"

E diga-se de passagem, está muito magrinho..

Não só fisica, mas mentalmente..
Mas estás a melhorar.. :)

Aquele Abraço de Mano
Toni

4:47 PM  

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